Controlar a Analgesia e a Dor dos Animais

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (I.A.S.P) definiu Dor como:

“ uma experiencia sensorial e emocional desagradável associada a potenciais lesões corporais”.

É sempre subjectivo, mas é sempre desagradável e portanto uma experiencia emocional.

Dor crónica é geralmente reconhecida como dor que persiste por mais de seis meses.

Ao longo da última década, o controlo da dor em animais tem assumido um papel cada vez mais importante na prática clínica.

Uma das mais desafiantes, e por vezes frustrantes partes da prática veterinária é o controlo da dor crónica.

Os avanços na ciência veterinária bem como as alterações culturais dos proprietários dos animais, aumentaram significativamente o controlo da dor em situações terminais.

O aparecimento de novos medicamentos  permitiu um eficaz controlo da dor em cães e gatos.

Fisiologia da dor

A percepção consciente de um estímulo, chamada nocicepção, envolve a conversão de sensações mecânicas, térmicas e eléctricas, a sua transformação em sinais e posterior projecção ao córtex somatosensorial do cérebro.

A nocicepção consciente de um estímulo é geralmente considerada dor.

O córtex cerebral é considerado o alvo dos estímulos nociceptivos.


Apesar da resposta á dor fisiológica ser importante, a maioria da dor em pacientes clínicos é dor patológica, implicando desconforto associado a inflamação e destruição de tecidos.

Dor patológica pode ser aguda ou crónica.

Dor aguda está usualmente associada a dor pós-cirúrgica e inflamação, enquanto dor crónica tem a duração de 3 a 6 meses e está associada a por exemplo osteoartrite ou cancro.

O controlo insuficiente da dor pode ter consequências nefastas, incluindo o aumento da pressão arterial e do débito cardíaco.

Os Veterinários podem e devem influenciar de uma forma significativa e positiva o controlo da dor aguda ou crónica no seu animal de estimação.

Controlo da Dor Perioperatória

Controlar a dor perioperatória é imprescindível em todos os procedimentos cirúrgicos.

Um controlo apropriado da dor em cirurgia de pequenos animais é essência do bem-estar, e é crítico numa recuperação com sucesso.
Um tratamento inadequado, resulta num desconforto excessivo e recuperação retardada, atrasando a cicatrização de feridas, predispondo a infecções pós operatórias e uma recuperação incompleta.

Por exemplo: atrofia muscular, rigidez articular, degeneração da cartilagem e disfunção articular, são situações que podem resultar de um atraso no retorno á função de um membro.

O uso apropriado de modalidades físicas em combinação com opções farmacêuticas é fundamental para um adequado controlo da dor.

É evidente que o uso de analgésicos numa fase pré operatória é muito mais efectivo.

Doses baixas de analgesia devem ser administradas antes de um estímulo doloroso, reduzindo o efeito cárdio-depressor dos agentes anestésicos.

Morfina é um exemplo de um analgésico opióide que é usado comummente em cirurgia de pequenos animais.

Dor crónica

Dor crónica pode ser frustrante no controlo e pode ocorrer na progressão de doenças sem resolução (ex. osteoartrite) ou em condições progressivas (ex. neoplasias).

Reconhecimento de dor crónica

Apesar de muitas espécies apresentarem manifestações de dor distintas, que geralmente são fáceis de reconhecer, sinais de dor aguda são mais evidentes.

Sinais de dor crónica em pequenos animais estão pouco descritos e são geralmente mais difíceis de avaliar, sendo por isso indevidamente tratados.

O comportamento observado pode não reflectir a intensidade da dor: um comportamento específico pode variar entre cães.

Os donos comentam frequentemente que o seu animal “não manifesta dor” ou que “penso que não tem dor”.

Isto é frequentemente atribuído ao facto dos animais não vocalizarem. A importância da familiarização com a personalidade do seu animal na manifestação de dor, torna o dono a pessoa mais informada na abordagem a níveis de dor/ansiedade que os animais experienciam.


Exemplos de sinais de dor crónica:

  • Coxear ou arrastar um membro;
  • Alteração da postura / locomoção;
  • Alterações de expressões faciais;
  • Movimentos rígidos;
  • Lambedura da zona afectada;
  • Alterações do tónus muscular;
  • Actividade reduzida;
  • Relutância ao movimento/salto;
  • Alterações de comportamento com humanos/animais;
  • Controlo da dor crónica

 

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

É a base do tratamento da dor crónica em animais de companhia. Os AINEs são muitos populares porque estão disponíveis em inúmeras preparações orais e são facilmente administráveis pelos donos.

Outros Analgésicos

Para alguns pacientes, os AINEs por si só não são suficientes no controlo da dor.

Nessas situações torna-se necessário adicionar outros medicamentos.

Os Opióides são uma arma importante a nível peri-operatório quer em humanos quer em animais, contudo não são muito utilizados no tratamento de dor crónica.

Tramadol é um opióide usado regularmente pela facilidade de administração por via oral.

Sulfato de Condroitina

Está demonstrado que têm efeito anti-inflamatório, particularmente na redução de edema.

Glucosamina

A Glucosamina é um suplemento usado regularmente no tratamento sintomático da osteo-artrite.

Fisioterapia

Exercício regular de baixa intensidade é a modalidade de exercício que melhor ajuda no retorno á função de um membro ou á recuperação de osteo-artrite crónica. Em particular, a natação permite que o animal exercite os membros sem ter sobrecarga de peso nas articulações. Movimentos de flexão/extensão de um membro ajudam muito na mobilidade articular.